Camadas de solidão

12:42:00

    


   Quando me questiono sobre quem sou nunca encontro uma unica resposta. As vezes sou de lua, bipolar e confusa. Choro quando estou nervosa, minha risada as vezes sai um tanto escandalosa. Fico triste por grandes períodos, porém não me defino nem triste,  nem alegre. Não sou um único eu, sou noite e dia ao mesmo tempo. As vezes, sinto tanta empatia que sou incapaz de sentir algo por mim mesma. Choro as dores alheias e me esqueço das minhas. Sinto tudo ao mesmo tempo, por isso me confundo e me angustio. 
    Leio tanto, sempre me esqueço das histórias. Aquelas que já nem sei nomear. Uma parte de mim escreve com fúria. Escrevo para me entender, o que nem ao menos sei descrever. A aflição da escrita aquece meu coração nos dias mais sombrios, tornando tudo em linguagem. Não consigo me enquadrar em uma unica descrição. Sou um turbilhão que nem ao menos consegue esconder toda a sua extensão. Falar de mim é como se jogar no desconhecido, tenho tantas camadas que nunca sei onde vou chegar. Talvez ao escrever chegue mais perto de capturar minha própria essência, mas nunca é o suficiente.
    Não tenho um vazio existencial, sou logo um abismo em expansão. Não consigo tornar mais simples meu ser, a não ser pela escrita  que surge de maneira árdua. Em mais algumas linhas desnudarei minha própria alma. Sou nada tentando ser tudo. Não tenho mais valor do que um animal, isso não é ruim, é o cru. Alguns dizem que tenho uma auto estima elevada, sou quem sou, sem as lamurias da imagem. Se sou assim deve haver uma razão, desconhecida ainda está. Não sei como esclarecer tanta confusão interna enraizada sem conhecer o expoente. Por isso uso as palavras e não os números, não tenho o conhecimento necessário. Sou leiga por mais que me esforce tanto em desvendar.
    Não sou simples, isso é um fato. Sou tão confusa quanto pareço, desapareço. Por isso há sempre uma redoma em minha volta, impedindo minha interação. Sempre deslocada, sozinha em meio de tantos. Nem o prazer me consome, nem o vicio me domina. A conclusão que mais se aproxima da realidade é a que sou diferente. Sim, sou. Sem motivo aparente mais sou.

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